• Isabela Silva

Resenha: Diário de um Homem Supérfluo

“Supérfluo, supérfluo... Encontrei uma palavra excelente. Quanto mais profundamente me perscruto, quanto mais atentamente examino a minha vida pregressa, mais me convenço da estrita exatidão desse termo. Supérfluo – é isso. Aos outros não se aplica essa palavra... Os homens podem ser maus, bons, inteligentes, estúpidos, agradáveis e desagradáveis; mas supérfluos... não. Ou seja, quero que me entenda: o mundo poderia passar sem esses homens... sem dúvida; mas a inutilidade não é a sua principal característica, não é o seu traço distintivo, e quando se fala deles, a palavra “supérfluo” não é a primeira que vem à boca. E eu... quanto a mim, não é preciso dizer mais nada: supérfluo, e pronto.

Dá para notar pela grande maioria das resenhas postadas no blog, que eu leio bastante literatura russa. Este livro foi uma aquisição inesperada no stand da Editora 34 em uma feira. Minha intenção era apenas comprar "Lady Macbeth do Distrito de Mitzensk" e "A Morte de Ivan Ilitch", mas acabei levando este e outro livro que pretendo ler ainda.


Como sempre, os títulos chamam a minha atenção e acabo interessando-me repentinamente por um livro que nem sabia da existência como no caso desse. Compadeci-me do personagem logo pelo título, afinal, o que seria alguém supérfluo? Como pode existir alguém... Demasiadamente desnecessário? E surpreendi-me ao saber que ele realmente era supérfluo.


Diário de um homem supérfluo é um compilado de algumas poucas memórias (Apenas uma passagem interessante de sua vida, para ser sincera) de um homem à beira da morte. Este homem depara-se com uma coisa interessante, sua falta de relevância. Ele é supérfluo, não há como negar, o próprio protagonista da história poderia ser excluído da vida das pessoas que o cercam sem fazer diferença nenhuma na vida delas. Como pode? Não sei. Não posso dizer que é sua forma superficial de agir, ou seu estilo tímido, ou isso mais outros fatores, ele simplesmente o é - como ele próprio define-se neste trecho acima-.


Essa foi a típica leitura da qual eu saí mais pensativa do que eu pensava. Mas foi uma excelente experiência, a reflexão final que pude tirar com o livro foi: Supérfluo é quem não tem certeza da sua razão de viver.



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