• Isabela Silva

Resenha: A Morte de Ivan Ílitch

Ivan Ilitch via que estava morrendo, e o desespero não o largava mais. Sabia, no fundo da sua alma, que estava morrendo, mas não só não se acostumara a isto, como simplesmente não o compreendia, não podia de modo algum compreendê-lo.

O exemplo do silogismo que ele aprendera na Lógica de Kiesewetter: Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, parecera-lhe, durante toda sua vida, correto somente em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele. Tratava-se de Caio-homem, um homem geral, e neste caso era absolutamente justo; mas ele não era Caio, não era um homem em geral, sempre fora um ser completa e absolutamente distinto dos demais; ele era Vânia, com mamãe, com papai, com Mítia e Volódia, com os brinquedos, o cocheiro, a babá, depois com Kátienka, com todas as alegrias, tristezas e entusiasmos da infância, da juventude, da mocidade. [...]

E Caio é realmente mortal, e está certo que ele morra, mas quanto a mim, Vânia, Ivan Ilitch, com todos os meus sentimentos e ideias, aí o caso é bem outro. E não pode ser que eu tenha de morrer. Seria demasiadamente terrível.

Era assim que ele sentia.


A Morte de Ivan Ilitch foi o primeiro livro que eu li de autoria de Lev Tolstói, encontrei-o em uma biblioteca e achei que seria a minha melhor opção de leitura deste autor já que, Guerra e Paz era grande demais, como eu disse no post passado, seu tamanho dá medo.

Geralmente não posto trechos longos dos livros, mas esse foi um dos trechos mais marcantes da minha leitura. É até dificil pensar no que escrever pois ele exemplifica bem a ideia do livro de acompanhar o processo de um homem morrendo, seus momentos de negação, aceitação, dor e reflexão sobre a sua própria existência e relevância em vida.


Ivan Ilitch descobre que está morrendo e não se sabe ao certo de que, era apenas um mal estar inicial, motivo de zombaria entre os amigos que o consideravam hipocondríaco. Mas aos poucos a doença desenvolveu-se sem que os médicos soubessem ao certo como tratá-la, até chegar a um estado onde Ivan Ilitch apenas sofria com as dores, e passava seus dias enfermo, deitado em sua cama sem conseguir fazer nada.


No final da leitura você provavelmente ficará pensativo como eu fiquei, e ainda fico somente em pensar neste livro. No fundo todos temos a mesmo pensamento que Ivan apresentado no trecho, o homem geral é mortal, mas necessariamente eu também devo morrer?


Agora que já te deixei bem reflexivo e pra baixo com esse tema de morte, posso despedir-me.

Até o Próximo Post!





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