• Isabela Silva

A pequena volta ao mundo em 24 livros

Atualizado: Jul 27

24 livros, 24 países diferentes numa incrível e impressionante viagem no tempo e espaço para locais diferentes desse vasto mundo.

Depois de um bom tempo sem escrever no blog, voltamos a nossa programação normal. Eu não tinha muita ideia do que escrever para vocês visto que minhas leituras estavam meio paradas, um pouco tristes e desmotivadas (acontece com qualquer um). Mas, agora decidi que não tem espaço para esse tipo de “mimi” neste blog! Por isso, decidi voltar com essa lista de livros que eu pretendia publicar futuramente. E... O futuramente chegou!

Se você pesquisar por aí você encontra pessoas que decidiram se desafiar e ler livros de diferentes lugares do mundo como o “A Year of Reading the World”, o desafio criado pela escritora inglesa Ann Morgan cuja a ideia era ler um livro de cada país (196 ao todo) em um ano (pasmem, ela conseguiu!). E também o “A volta ao mundo em 198 livros” feito pela Camila Navarro. Acho que esse é um desafio interessante e intrigante que te força a sair um pouco da zona de conforto geralmente estabelecida por nós de que tipo de literatura leremos e de que região do globo. Baseado nisso, decidi criar uma versão bem mais “de bolso” desse desafio e o mais acessível possível para brasileiros.


A pequena volta ao mundo em 24 livros é uma lista que oferece 24 títulos variados que servem como um passeio turístico para diferentes países em diferentes épocas para você que gosta de variar um pouco o “menu” literário. Tentei abranger o máximo de locais diferentes possíveis e citar livros que você encontra traduzidos para o português por editoras do Brasil e quase todos disponíveis na Amazon em formato ebook, para facilitar a sua vida.

Vale ressaltar que ao final do texto você encontra os sites que usei de referência para pesquisar títulos ou escritores e, lembrem-se também, isso são algumas referências, não quer dizer que, pelo menos não tenho como afirmar isso, esses livros expressam totalmente a mentalidade ou suprassumo da literatura de cada um dos países da lista, é mais uma tentativa de ajudar vocês, e a mim, a expandir nossos horizontes na hora de procurar novos livros para ler e pensar em culturas diferentes na hora de escolher.


Outra coisa, as sinopses dos livros que vocês lerão a seguir são as mesmas disponíveis no site da Amazon nos links dos títulos dos livros.

Agora sem mais delongas vamos à lista!


1. O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini (Afeganistão)


“Com quase 4 milhões de cópias vendidas no Brasil, Khaled Hosseini é um dos romancistas mais lidos de todo o mundo. Nasceu em Cabul, filho de uma professora e um diplomata e, por isso, mudou-se muitas vezes para outros países quando criança. Até que, em 1980, quando a família preparava-se para retornar à vida na capital do Afeganistão, o país sofreu um golpe de Estado e Khaled foi obrigado ao exílio nos Estados Unidos, onde vive até hoje.”

2. Os Buddenbrook – Thomas Mann (Alemanha)


Primeiro romance de Thomas Mann, publicado em 1901, este livro monumental acompanha a saga dos Buddenbrook, uma família de comerciantes abastada do norte da Alemanha. Quatro gerações são retratadas na crônica familiar inspirada na linhagem do próprio escritor e situada numa cidade com todas as características de Lübeck, a terra natal dos Mann. Com personagens vívidos, diálogos brilhantes e elevada riqueza de detalhes, o autor lança um olhar preciso sobre a vida da burguesia alemã - entre nascimentos e funerais; casamentos e separações; desentendimentos e rivalidades; sucessos e fracassos. Esses acontecimentos sucedem-se ao longo dos anos, mas à medida que os Buddenbrook sucumbem à sedução da modernidade, o declínio moral e financeiro parece estabelecido. O leitor contemporâneo encontra intactos o frescor e o fascínio deste que é considerado um dos principais romances do século XX.


3. Mayombe – Pepetela (Angola)


Escrito no período em que Pepetela participou da guerra pela libertação de seu país, Mayombe é uma narrativa que mergulha fundo na organização dos combatentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), trazendo à tona seus questionamentos, contradições, medos e convicções. Os bravos guerrilheiros que lutam no interior da densa floresta tropical confrontam-se não somente com as tropas portuguesas, mas também com as diferenças culturais e sociais que buscam superar em direção a uma Angola unificada e livre.

4. O Estrangeiro – Albert Camus (Argélia)


Este livro narra a história de um homem comum que se depara com o absurdo da condição humana depois que comete um crime quase inconscientemente. Meursault, que vivia sua liberdade de ir e vir sem ter consciência dela, subitamente perde-a envolvido pelas circunstâncias e acaba descobrindo uma liberdade maior e mais assustadora na própria capacidade de se autodeterminar. Uma reflexão sobre liberdade e condição humana que deixou marcas profundas no pensamento ocidental. Uma das mais belas narrativas deste século.

5. O Aleph – Jorge Luis Borges (Argentina)


Publicado em 1949, O aleph é considerado pela crítica um dos pontos culminantes da ficção de Borges. Em sua maioria, "as peças deste livro correspondem ao gênero fantástico", esclarece o autor no epílogo da obra. Nelas, ele exerce seu modo característico de manipular a "realidade": as coisas da vida real deslizam para contextos incomuns e ganham significados extraordinários, ao mesmo tempo em que fenômenos bizarros se introduzem em cenários prosaicos. Os motivos borgeanos recorrentes do tempo, do infinito, da imortalidade e da perplexidade metafísica jamais se perdem na pura abstração; ao contrário, ganham carnadura concreta nas tramas, nas imagens, na sintaxe, que também são capazes de resgatar uma profunda sondagem do processo histórico argentino. O livro se abre com "O imortal", onde temos a típica descoberta de um manuscrito que relatará as agruras da imortalidade. E se fecha com "O aleph", para o qual Borges deu a seguinte "explicação" em 1970: "O que a eternidade é para o tempo, o aleph é para o espaço". Como o narrador e o leitor vão descobrir, descrever essa idéia em termos convencionais é uma tarefa desafiadoramente impossível.

6. A Guerra não tem rosto de mulher – Svetlana Alikséivich (Belarus)


Uma história ainda pouco conhecida, contada pelas próprias personagens: as incríveis aventuras das soldadas soviéticas que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial. A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente. É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Alexiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

7. Anne de Green Gables – Lucy Maud Montgomery (Canadá)

Quando os irmãos Marilla e Matthew Cuthbert, de Green Gables, na Prince Edward Island, no Canadá, decidem adotar um órfão para ajudá-los nos trabalhos da fazenda, não estão preparados para o "erro" que mudará suas vidas: Anne Shirley, uma menina ruiva de 11 anos, acaba sendo enviada, por engano, pelo orfanato. Apesar do acontecimento inesperado, a natureza expansiva, sempre de bem com a vida, a curiosidade, a imaginação peculiar e a tagarelice da menina conquistam rapidamente os relutantes pais adotivos. O espírito combativo e questionador de Anne logo atrai o interesse das pessoas do lugar – e muitos problemas também. No entanto, Anne era uma espécie de Pollyanna, e sua capacidade de ver sempre o lado bonito e positivo de tudo, seu amor pela vida, pela natureza, pelos livros conquista a todos, e ela acaba sendo "adotada" também pela comunidade. Publicada pela primeira vez em 1908, esta história deliciosa, que ilustra valores fundamentais como a ética, a solidariedade, a honestidade e a importância do trabalho e da amizade, teve numerosas edições, já tendo vendido mais de 50 milhões de cópias em todo o mundo. Foi traduzida para mais de 20 idiomas e adaptada para o teatro e o cinema.

8. Cem anos de Solidão – Gabriel García Márquez (Colômbia)


O livro mais importante de Gabriel Garcia Márquez.

Neste que é um dos maiores clássicos da literatura, o prestigiado autor narra a incrível e triste história dos Buendía – a estirpe de solitários para a qual não será dada "uma segunda oportunidade sobre a terra" e apresenta o maravilhoso universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que acompanhamos diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. Para além dos artifícios técnicos e das influências literárias que transbordam do livro, ainda vemos em suas páginas o que por muitos é considerado uma autêntica enciclopédia do imaginário, num estilo que consagrou o colombiano como um dos maiores autores do século XX.

9. A Vegetariana – Han Kang (Coréia do Sul)


A vegetariana, romance perturbador e único, tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea – e uma introdução à fecunda literatura produzida na Coreia do Sul. "… Eu tive um sonho", diz Yeonghye, e desse sonho de sangue e escuros bosques nasce uma recusa vista como radical: deixar de comer, cozinhar e servir carne. É o primeiro estágio de um desapego em três atos, um caminho muito particular de transcendência destrutiva que parece infectar todos aqueles que estão próximos da protagonista. A vegetariana conta a história dessa mulher comum que, pela simples decisão de não comer mais carne, transforma uma vida aparentemente sem maiores atrativos em um pesadelo perturbador e transgressivo. Narrado a três vozes, o romance apresenta o distanciamento progressivo da condição humana de uma mulher que decidiu deixar de ser aquilo que marido e família a pressionaram a ser a vida inteira. Este romance de Han Kang tem sido apontado como um dos livros mais importantes da ficção contemporânea. Uma história sobre rebelião, tabu, violência e erotismo escrita com a clareza atordoante das melhores e mais aterradoras fábulas. Esta tradução, diretamente do coreano, restitui o estranhamento da obra original.

10. Don Quixote de la Mancha – Miguel de Cervantes (Espanha)


Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. Para completar, o narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações. Não é preciso avançar muito na leitura para perceber que Dom Quixote é bem diferente das novelas de cavalaria tradicionais - um gênero muito cultuado na Espanha do início do século XVII, apesar de tratar de uma instituição que já não existia havia muito tempo. A história do fidalgo que perde o juízo e parte pelo país para lutar em nome da justiça contém elementos que iriam dar início à tradição do romance moderno - como o humor, as digressões e reflexões de toda ordem, a oralidade nas falas, a metalinguagem - e marcariam o fim da Idade Média na literatura. Mas não foram apenas as inovações formais que garantiram a presença de Dom Quixote entre os grandes clássicos da literatura ocidental. Para milhões de pessoas que tiveram contato com a obra em suas mais diversas formas - adaptações para o público infantil e juvenil, histórias em quadrinhos, desenhos animados, peças de teatro, filmes e musicais -, o Cavaleiro da Triste Figura representa a capacidade de transformação do ser humano em busca de seus ideais, por mais obstinada, infrutífera e patética que essa luta possa parecer.

11. O Sol é para todos – Harper Lee (Estados Unidos)


Harper Lee nos apresenta um livro emblemático sobre racismo e injustiça, que marca seus leitores desde a sua primeira publicação e mostra seu valor até hoje. O sol é para todos conta a história de um advogado branco que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado e ainda criança na época. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

12. O Conde de Monte Cristo – Alexandre Dumas (França)


A trama de "O Conde de Monte Cristo" traz uma emoção diferente a cada página e talvez isso explique a razão de a obra do escritor francês Alexandre Dumas ter se transformado em um clássico da literatura mundial, mexendo com a imaginação dos leitores há mais de 150 anos. No romance, o marinheiro Edmond Dantés é preso injustamente, vítima de um complô. Anos depois, consegue escapar da prisão, enriquece e planeja uma vingança mirabolante. A galeria de personagens criada por Dumas faz um retrato fiel da França do século XIX, um mundo em transformação, em que passou a ser possível a mudança de posições sociais. As aventuras de Dantés ainda ganharam diversas versões cinematográficas que colaboraram para o sucesso da trama.

13. O deus das pequenas coisas – Arundhati Roy (Índia)


Elogiado livro de estréia da indiana Arundhati Roy, O deus das pequenas coisas narra a história dos gêmeos Rahel e Estha, que, na Índia de 1969, crescem entre os caldeirões de geléia de banana e as pilhas de grãos de pimenta da fábrica da avó cega. Armados da inocência invencível das crianças, os dois tentam inventar uma infância à sombra da ruína que é sua família - a mãe, a solitária e adorável Ammu; o delicioso tio Chacho; a inimiga Baby Kochamma e o fantasma de uma mariposa que um dia pertenceu a um entomologista imperial. Rahel e Estha descobrem que as coisas podem mudar num só dia, que as vidas podem ter seu rumo alterado e assumir novas - e feias - formas. Descobrem que elas podem até cessar para sempre. Ancorada na angústia mas alimentada pela magia e por um profundo conhecimento, esta pequena obra-prima ganhou o prêmio britânico Booker Prize de 1997, foi editada em 36 países e encabeçou por semanas a lista de mais vendidos na Grã-Bretanha, Austrália, Índia e Noruega, na época de seu lançamento.

14. David Copperfield – Charles Dickens (Inglaterra)


Um dos maiores romances do século XIX, David Copperfield é também o mais autobiográfico do autor que definiu o realismo inglês. Publicado originalmente na forma de folhetim entre 1849 e 1850, David Copperfield é o romance mais autobiográfico de Charles Dickens. Mas não só: nas palavras do grande escritor, que inspirou outros gigantes da literatura ocidental como Tolstói, Kafka, Woolf, Nabokov e Cortázar, este é seu "filho predileto". Nele, acompanhamos a jornada do herói, nascido na Inglaterra dos anos 1820: órfão de pai desde o nascimento, David Copperfield pertence à imensa massa de desfavorecidos que a literatura do século XIX, pela primeira vez, presenteou com o protagonismo. Parte fundamental da tradição do grande romance realista, este livro oferece não apenas um retrato acurado de seu tempo como também um contundente relato sobre a vocação literária.


15. Um General na Biblioteca – Italo Calvino (Itália)


Ironia e leveza em 32 narrativas escritas ao longo de quarenta anos - entre 1943, quando Calvino tinha vinte anos, e 1984, um ano antes de sua morte. Com estilos e linguagens diferentes, elas são como um roteiro da vasta obra do escritor, desde o neo-realismo até as experiências de vanguarda. Um país onde os chefes políticos são decapitados ao final de seu mandato. O camponês que foi condecorado porque, na guerra, matou os inimigos da pátria, mas recebeu a pena de morte porque, na paz, matou o inimigo da aldeia. O homem que nunca soube dar laço no sapato. Uma conversa com o hilariante Homem de Neandertal. Um arquivo em que estão fichados todos os habitantes do planeta. Um corretor de seguros que se transforma em serial killer. Os clãs escoceses que se enfrentam numa guerra de religião. Os conjurados que matam o imperador César num dia ensolarado, enquanto os romanos fazem piquenique no campo. Selecionadas por Esther Calvino, viúva do escritor, estas 32 narrativas foram escritas ao longo de quarenta anos - entre 1943, quando Calvino tinha vinte anos, e 1984, um ano antes de sua morte. Muitas são inéditas, outras estavam esquecidas em publicações fora de circulação. Com estilos e linguagens diferentes, elas são como um roteiro da vasta obra do escritor, desde o neorrealismo até as experiências de vanguarda. Em todas elas Calvino exerce seu talento para fazer literatura com ironia e leveza.


16. Relatos de um Gato viajante – Hiro Arikawa (Japão)


Às vezes é preciso fazer uma longa viagem para descobrir aquilo que está perto de você. O gato Nana está viajando pelo Japão. Ele não sabe muito bem para onde está indo ou por quê, mas ele está sentado no banco da van prata de Satoru, seu dono. Lado a lado, eles cruzam o país para visitar velhos amigos. O fazendeiro durão que acredita que gatos só servem para caçar ratos, o simpático casal dono de uma pousada que aceita animais, e o marido abandonado pela esposa que ama animais. Mas qual é o motivo dessa viagem? E por que todos estão tão interessados em Nana e Satoru? Ninguém sabe muito bem o que está acontecendo e Satoru não diz nada, mas quando Nana descobrir o motivo da viagem, seu pequeno coração passará por uma das mais difíceis provas de suas sete vidas. Narrado em vozes alternadas, esse romance emocionante e divertido nos mostra um jovem de grande coração e um narrador-gato muito esperto, numa amizade que desafia as fronteiras de um país e da própria vida.

17. Terra Sonambula – Mia Couto (Moçambique)


Primeiro romance de Mia Couto, Terra Sonâmbula é uma verdadeira aula sobre a velha arte de contar histórias. No Moçambique pós-independência, mergulhado em uma devastadora guerra civil, um velho e um menino empreendem uma viagem recheada de fantasias míticas. Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os "cadernos de Kindzu", o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. Terra Sonâmbula - considerado por júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX - é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo.

18. Ana Karerina – Liev Tolstói (Rússia)


Publicado originalmente em forma de fascículos entre 1875 e 1877, antes de finalmente ganhar corpo de livro em 1877, Anna Kariênina continua a causar espanto. Como pode uma obra de arte se parecer tanto com a vida? Com absoluta maestria, Tolstói conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes, vestidos de renda, num ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia czarista. Nessa galeria de personagens excessivamente humanos, ninguém está inteiramente a salvo de julgamento: não há heróis, tampouco fracassados, e sim pessoas complexas, ambíguas, que não se restringem a fórmulas prontas. Religião, família, política e classe social são postas à prova no trágico percurso traçado por uma aristocrata casada que, ao se envolver em um caso extraconjugal, experimenta as virtudes e as agruras de um amor profundamente conflituoso, "feito de sombra e de luz".

19. O Fundamentalista Relutante – Mohsin Hamid (Paquistão)


Changez, um paquistanês que vivera por muitos anos nos Estados Unidos, encontra-se com um norte-americano num café em Lahore. Aos poucos, ele narra sua história a esse enigmático visitante. Depois de estudar em Princeton, onde fora o primeiro colocado de sua turma, Changez tinha a vida praticamente ganha - trabalhava numa empresa de elite em Nova York e havia conhecido a garota de seus sonhos. Naquele momento, sentia-se cada vez mais integrado ao estilo de vida norte-americano. Mas tudo muda quando ele vê, pela televisão, as Torres Gêmeas desmoronando. Sua vida, então, irá se alterar por completo, e esse jovem paquistanês descobrirá laços de fidelidade mais fundamentais do que o dinheiro e o poder.


20. Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago (Portugal)


Uma terrível ""treva branca"" vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu.

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma ""treva branca"" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar ""a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam"". José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti.Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: ""uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos"".

21. As aventuras do bom soldado Svejk – Jaroslav Hašek (República Tcheca)


Épico ao avesso, este romance de Jaroslav Hašek usa a comicidade para refletir sobre o absurdo da guerra. Escrito pouco depois da Primeira Guerra Mundial, na qual o autor lutou, este romance impressionante está longe de ser mero "testemunho" da barbárie. Ele opta pelo cômico para refletir sobre o absurdo da guerra e dos regimes antidemocráticos, construindo uma figura memorável, o bravo soldado Švejk, que tem uma incrível e hilariante capacidade de se meter nas piores confusões. Personagem ambíguo, entre o tolo e o dissimulado, ele se envolve em inúmeras e impagáveis trapalhadas que, no entanto, não decorrem apenas de sua sagaz ingenuidade ou desastrada esperteza. O mundo de Švejk é extremamente cruel; ruma para a destruição, apesar da aparente hilaridade que cerca a ele e seus inconstantes companheiros. Portanto, ao encarar esse mundo como objeto de ficção, o riso talvez não tenha sido apenas uma escolha de Jaroslav Hašek, mas a única forma de expressar uma visão implacável da humanidade.

22. O Pomar das Almas Perdidas – Nadifa Mohamed (Somália)


Hargeisa, segunda maior cidade da Somália, 1987. A ditadura militar que está no poder faz demonstrações de força, mas o vento que sopra do deserto traz os rumores de uma revolução, e em breve, pelos olhos de três mulheres, vamos assistir ao mergulho do país em uma sangrenta guerra civil. Aos 9 anos, atraída pela promessa de ganhar seu primeiro par de sapatos, a menina Deqo deixa o campo de refugiados onde nascera. Em circunstâncias dramáticas, conhece Kawsar, uma viúva que logo em seguida é presa e espancada por Filsan, uma jovem soldado que deixara a capital para reprimir a rebelião que crescia no norte. Intimista, singelo e poético, O pomar das almas perdidas nos lembra de que a vida sempre continua, apesar do caos e do sofrimento.

23. Meu Nome é Vermelho – Orham Pamuk (Turquia)


Narrativa policial, um amor proibido e reflexões sobre as culturas do Oriente se reúnem neste livro. Estamos em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da fuga de Maomé para Meca, o sultão encomenda um livro de exaltação à riqueza do Império Otomano. Na tentativa de afirmar a superioridade do mundo islâmico, as imagens do livro deveriam ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando intrigas e o assassinato de um artista que trabalhava no livro. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre Negro, que volta a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores - entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas.


24. Contos de Amor, Loucura e de Morte – Horacio Quiroga (Uruguai)


“Contos de amor de loucura e de morte” (1917) foi o primeiro livro de contos de Horacio Quiroga, considerado um dos maiores contistas da literatura hispano-americana. O autor traz em seus contos traços com influência de Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant e Tchekhov. Histórias como “O Solitário”; “A galinha degolada”; “O travesseiro de plumas”; “O mel silvestre”, entre outros, trazem o que há de melhor na literatura de terror e fantástica. O encontro do amor, da loucura e da morte em linhas sutis e envolventes, característica fundamental na obra de Quiroga. O leitor ficará atônito.

Espero que, de alguma maneira, essa lista possa inspirar você a procurar coisas diferentes para ler, no meu caso nenhum dos livros citados eu li, obviamente para me desafiar a lê-los em um futuro próximo, como ano que vem. Mas, fique à vontade para escolher outros livros e deixar aqui comentários a respeito dos livros que você já leu e estão nesta lista.

Referências:

A volta ao Mundo em 144 Livros: um mapa-mundi feito de capas – El País (acesso em julho de 2020)

A Volta ao Mundo em 198 Livros – Blog Viaggiando (acesso em julho de 2020)

Uma volta ao Mundo dos livros – Blog Viaggiando (acesso em julho de 2020)




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